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A digitalização está cada vez mais próxima da construção

Publicado em 30.10.2023
A digitalização está cada vez mais próxima da construção

A digitalização tem vindo a revolucionar os mais variados setores, surgindo como uma solução de inovação e reestruturação das atividades. Porém, a indústria da construção tem vindo a demonstrar alguma resistência à mudança. A evolução estará cada vez mais próxima? Ou temos já quem esteja a mostrar o caminho a seguir, rumo à modernização do setor?

Vários dados apontam para que o crescimento anual da produtividade do setor nos últimos 20 anos tenha sido apenas um terço da média total da economia. Este baixo indicador traduz-se em oportunidades perdidas, uma vez que o investimento e a procura por infraestruturas têm vindo a aumentar, mas o setor, com atrasos pela falta de mão-de-obra e desperdícios constantes, não consegue, por vezes, acompanhar.

Mais produtividade, mais eficiência, mais sustentabilidade, mais qualidade dos projetos e mais rentabilidade são só algumas das promessas que a digitalização coloca em cima da mesa. Estas são, à partida, interessantes para esta indústria, mas as suas fragilidades refletem-se precisamente nestas questões. Assim sendo, porque é que a digitalização está a ser mais demorada para a indústria da construção? A resistência que presenciamos no setor remete, de um modo geral, para a natureza do trabalho. A esmagadora maioria dos projetos são únicos e personalizados, o que dificulta uma abordagem padronizada. Por outro lado, os processos não estão ainda suficientemente aptos em prol da digitalização.

A adoção de ferramentas digitais que envolvem todo o ciclo de vida dos projetos surge como uma solução que pode contribuir para a eliminação de processos ineficientes que prejudicam a produtividade e a sustentabilidade do setor.

Neste sentido, acredito que as empresas comprometidas com a inovação contínua são o modelo a seguir. E são também a prova de que a construção tem espaço na era digital. A impressão 3D, a construção pré-fabricada, a construção industrializada e os objetos BIM (Builing Information Modeling) são só algumas das estratégias que têm vindo a ser implementadas. Este último, ao oferecer a possibilidade de monitorizar digitalmente os projetos antes de começar o trabalho em campo, ou de comunicar em tempo real informação entre todos os envolvidos na atividade, permite reduzir em grande escala a margem de erro nos projetos.

Estes modelos oferecem ainda a possibilidade de redução do desperdício no setor, indo ao encontro do propósito de empresas empenhadas em preservar o planeta ao mesmo tempo que se mantêm ótimos níveis de produtividade.

No setor da construção, já há quem esteja a desafiar e a inovar face aos métodos de sempre. A mudança é árdua e exige dedicação da parte de todos os envolvidos, mas, a meu ver, acarreta oportunidades interessantes.

Rogério Ribeiro, CX e Technical Solutions Director na Saint-Gobain Portugal in Construção Magazine.