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Sustentabilidade e circularidade definem novas soluções no mercado

Publicado em 26.09.2023
Artigo Rita Especial Construir

A inovação, a investigação e a tecnologia são a tríade perfeita para colocar no mercado soluções cada vez mais eficientes energeticamente e ambientalmente responsáveis.

A contribuição para uma indústria “verde” é hoje cada vez mais exigente, colocando o foco da estratégia das empresas na sustentabilidade e na circularidade e de olhos postos nos novos métodos construtivos.

  • Sabendo que a descarbonização dos edifícios passa pela eficiência energética de que forma é que as soluções que colocam no mercado permitem essa transição?

A Saint-Gobain concebe, fabrica e distribui materiais e serviços para os mercados da construção e da indústria que proporcionam conforto, desempenho e sustentabilidade, respondendo aos desafios atuais da descarbonização do setor da construção e da indústria, da preservação dos recursos e da urbanização.

Neste sentido, temos desenvolvido ao longo dos anos produtos e tecnologias que respondem aos desafios da transição energética e que contribuem para um futuro com menos impacto. Destaco, em particular, o ETICS ou “Isolamento Térmico pelo Exterior”. Trata-se de um sistema de isolamento de fachadas constituído por diversas camadas e aplicado pelo exterior, que tem como foco principal o isolamento térmico das habitações portuguesas, e que, em função do isolamento aplicado, possui outras vantagens como a proteção contra o fogo.

Recordo que a Weber, marca da Saint-Gobain, tem uma forte presença no mercado no ETICS, tendo lançado, em 2021, uma campanha para mostrar as suas vantagens para o conforto das habitações portuguesas, que continuam expostas ao frio no inverno e ao calor no verão, e a sua vasta experiência técnica e de aplicabilidade de uma solução que contribui para a eficiência energética do edificado.

Esta é um dos exemplos que destaco, sendo que existe um roadmap de sustentabilidade implementado na organização, com múltiplas ações que contribuem para o objetivo maior de neutralidade carbónica em 2050.

  • Por outro lado, também a indústria tem um importante papel nessa mesma descarbonização. Que alterações têm vindo a fazer para cumprir estes requisitos e metas?

A nossa indústria desempenha de facto um papel importante na descarbonização. Nesse sentido, na Saint-Gobain estamos comprometidos com a neutralidade carbónica até 2050 e, por isso, promovemos a construção sustentável e uma estratégia voltada para a sustentabilidade. Esta estratégia e consequente implementação tem em consideração não só a neutralidade carbónica, mas também a circularidade, redução do consumo de água, melhor gestão de resíduos e, não menos importante, a preocupação com a saúde e a segurança dos colaboradores, dos profissionais e dos utilizadores dos edifícios. Destaco algumas das ações que levamos a cabo para atingir estes objetivos:

- A energia utilizada nos centros da Saint-Gobain em Portugal é maioritariamente verde, e em alguns centros de produção são utilizados painéis fotovoltaicos para a produção de energia.

- Na Weber os produtos primam pela circularidade, como é o caso do webercol flex lev, um cimento-cola que inclui na sua composição mais de 30% de matérias-primas recicladas, que são reavaliadas no produto, em vez de serem desperdiçadas.

- As lãs de vidro e de rocha Geowall e Arena APTA têm mais de 50% de material reciclado na sua composição.

- Utilizamos produtos com matérias-primas naturais, como o painel isolante de cortiça webertherm cork, utilizado no sistema webertherm natura.

  • De que forma o aumento da construção modular e a escolha por materiais de construção mais sustentáveis podem significar uma mudança no sector e permitir um mercado em crescimento?

A construção modular é mais rápida e mais eficiente, faz um melhor aproveitamento de materiais, gerando por isso menos resíduos. É de mais fácil e de menos exigente aplicação, quando comparada com métodos de construção tradicional, tendo também menores custos de mão de obra. Em suma, trata-se de um modelo de construção mais sustentável, porque reduz quase a zero o desperdício de materiais além de utilizar menos recursos na construção, já que estes são calculados previamente.

  • Fala-se cada vez mais na tecnologia como um importante aliado na inovação. Também no vosso sector consideram que ferramentas como o BIM ou, até, a Inteligência Artifical (AI) podem ter um papel importante para fazer face às mudanças do sector?

Sem dúvida. A digitalização da sociedade está a provocar mudanças duradouras e a indústria da construção não é exceção. A modelação digital, ou BIM, ajuda-nos a planear e construir melhor, de forma mais sustentável e mais responsável.

Desde a conceção, passando pelas obras estruturais, a escolha dos materiais, a logística e o cálculo da pegada ambiental, o BIM é uma solução que permite analisar, simular e visualizar um edifício sob todos os ângulos, incluindo as perspetivas estruturais, de eficiência energética e orçamentais.

A biblioteca da Saint-Gobain oferece acesso a soluções do Grupo, todas elas configuráveis e renderizáveis em 3D. Cada objeto (divisória, teto, vidro, etc) está associado a dados técnicos (dimensão, tipo, dados energéticos, etc.) que podem ser partilhados entre todos os intervenientes no projeto. O arquiteto, o gabinete ou o empreiteiro só tem de escolher os materiais e fazer o trabalho de conceção.

  • Em termos de soluções / produtos para este sector que novidades podemos esperar?

Podemos esperar cada vez mais soluções e serviços aliados à tecnologia e que contribuem significativamente para a eficiência energética, digitalização e industrialização do setor da construção. Em suma, tudo o que possa contribuir para o propósito da Saint-Gobain ‘Making The World A Better Home’.

Como exemplo, uma das inovações que nos tem permitido contribuir para este desígnio é o nosso serviço mecanizado weberfloor pump, da marca Weber, para aplicação de pavimentos. Ao oferecer uma economia significativa de tempo e de custos em obra para o aplicador, contribui ainda para a sustentabilidade do setor ao não utilizar sacos para a entrega do produto e ao possibilitar reabastecimentos de areia perto do local de obra, diminuindo, assim, o CO2 associado ao transporte.

De realçar ainda o webercol flex lev, uma argamassa que inclui na sua composição mais de 30% de matérias-primas recicladas, que são reavaliadas no produto, em vez de serem desperdiçadas, ou o Oraé, um vidro composto por 70% de vidro reciclado (casco). Caracterizado como amigo do ambiente, é o primeiro vidro no mundo com baixas emissões de carbono, com uma pegada de carbono estimada de apenas 7 kg CO2 eq./m2 (para uma espessura de 4 mm), o que representa uma redução de aproximadamente 40%, em relação à média europeia de produção de vidro base.

Rita Bastos, Diretora Saint-Gobain Solutions in Especial Isolamento e Impermeabilização, Jornal Construir.